VIAJANDO NA HISTÓRIA DOS MEUS DESENHOS ou, NOS DESENHOS DA MINHA HISTÓRIA...

Thursday, 3 February 2011

Fênix nos Alpes

Depois da facu, com a minha mudança radical de endereço e de vida, pra falar bem a verdade entrei meio em parafuso em vários sentidos. Primeiro que tudo era tão incrivelmente limpo e seguro que minha mente programada pra sobrevivência em Sampa quase surtou, segundo, estava muito ocupada tentando aprender a língua de Molière (não, não adianta só fazer biquinho...) e isso me distraiu por um certo tempo.
Depois de colecionar alguns certificados (suados) na Inglaterra onde, entre uma pint e outra, conheci o responsável pela minha mudança de trajetória, eu achei que a vida na terra do Toblerone gigante até que não era ruim. Uma cena de cartão postal em cada esquina, queijos e vinhos de fazer você esquecer o significado da palavra regime e como nada é perfeito, aqui o inverno (congelante) existe.
Entre a língua, o clima e o fato de ninguém contar a vida na fila do correio, me dei conta que o meu programa "sobrevivência" precisaria de vários updates.

 Matterhorn, Cervin, Cervino
Muitas versões e adaptações depois, tendo a impressão de ter psicologicamente rolado o Matterhorn várias vezes e em cada despencada ter deixado um pedaço do que eu era, tentado cada vez mais tapar os buracos e acumular riquezas humanas, entendi que o caminho que eu escolhi é bom e que tenho muitos tesouros valiosíssimos.

Ano passado uma amiga que não víamos há muito tempo teve a franqueza de me dizer que meu olhar não tinha mais o brilho de antes. Essa pequena observaçãozinha, com o poder de um raio, me deixou com a sensação de ter batido com a cara numa daquelas portas de vidro sem fitinha com bastante força pra cair de bunda no chão. Não que eu não desconfiasse, mas daí a que esteja estampado na fachada, ahhh, foi um tabefe bem dado. Obrigada!

Meus olhos acesos...

Talvez graças à isso e à minha familia linda, através dos meus desenhos, fiquei com vontade de trocar as lâmpadas, porque economia de energia só é bom pro meio ambiente, e que a luz se faça!

Tuesday, 1 February 2011

Território desconhecido


Album n°4 "Frontière" com
suplemento
 sobre obras de Ugarte
Estou lendo uma série de comics francesa chamada "Le territoire" de Eric Corbeyran e Espé. Gosto dos desenhos de Espé, mas, com todo o respeito, sem mais...
O que me faz escrever sobre essa série são as pinturas do artista francês Jean-Pierre Ugarte. O roteirista usa as obras desse artista como peça importante na história e no quarto álbum, fala de maneira apaixonada da primeira vez em que se viu face à essas pinturas tão desconcertantes e como elas mudaram sua vida.
Dêem uma olhada na galeria virtual de J-P Ugarte . Imperdível!

Super interessante ver a evolução de seu trabalho no decorrer dos anos. De dar arrepios... de admiração!
Paysage 2005 - J-P Ugarte



Monday, 31 January 2011

Cortes de tecidos

Apesar de saber que de alguma forma meu lado criativo me levaria a "fazer arte", depois de pensar, repensar, prestar vestibular pra publicidade (e passar!), eu decidi fazer farmácia. Ah, mas tudo tem uma razão no universo infinito e misterioso do ser humano! Na verdade, eu quando era pequena, queria ser médica. Aí, quando vi que notas, horas de estudo, muita matemática, física e química seriam necessárias pra me fazer andar um pedacinho do caminho, olhei pra minha realidade de aluna "average", e ainda por cima uma que nem queria mudar de status e deixei a carreira de médico pra uma outra vida, quem sabe. É, meu lado cientista sábio também existe, apesar de estar constantemente em marcha lenta. Passei a infância inteira vendo meu pai ler bulas, compêndios médicos e farmacêuticos e enciclopédias cheias de nominhos esquisitos que se referiam à fórmulas mágicas capazes de curar ou matar de vez. A parte do "matar de vez" ainda não me encantava muito na época... Veio depois. Sempre bom saber, não é?
Meu Papis, é um mestre das fórmulas mágicas. Sempre sabe exatamente o que usar pra essa ou aquela miséria inflamatória ou infecciosa que assola nossos corpinhos frágeis. (Infelizmente nem todas as dores vêm do corpo, né Papis...?) Eu queria ser igual a ele! Mas cada um com o seu dom e apesar de amar e me orgulhar de saber um milésimo do que ele sabe, meu negócio era mesmo "fazer arte". E durante os 5 anos de de prazer que me levaram a conseguir meu diploma de farmacêutica, a danada foi achando seu caminho pra me lembrar que não dá muito pra fugir das nossas paixões.

Corte de tecido nervoso



Entre outras, adorava as aulas práticas de citologia e histologia no primeiro ano onde devíamos desenhar com detalhes o que víamos no microscópio.


 



Corte de tecido pulmonar
 Ahh, ver a beleza de um corte de tecido pulmonar com enfisema, corado com hematoxilina e eosina. Pura arte!
Ainda tenho meu caderno de lâminas desenhadas. Lindo!





Tenho certeza que se um designer se inspirar na infinidade de formas, cores, misturas de texturas dessas lâminas não vai cair na casa do "sem idéias".

No segundo ano fui convidada por meus professores a ajudá-los nas aulas de laboratório pro primeiro ano. Como essa foi uma das únicas matérias na minha vida universitária onde eu sabia tudo de traz pra frente, eu dava explicações, indicações e até um pouquinho de apresentação de lâminas pra classe toda. Que orgulho! Não durou muito... a aula era a última de sexta-feira à noite e os profs sempre ficavam até mais tarde pra arrumar o lab e, eu também, e sexta-feira à noite, bahn..., era hora de comemorar o começo do fim de semana em algum bar ou na casa de alguém... No terceiro ano as sextas-feiras  já estavam todas ocupadas antes do ano começar.
E esse foi o fim da minha carreira acadêmica.

Sorry teachers! Se algum de vocês um dia ler esse blog... Vocês eram os melhores!