Apesar de saber que de alguma forma meu lado criativo me levaria a "fazer arte", depois de pensar, repensar, prestar vestibular pra publicidade (e passar!), eu decidi fazer farmácia. Ah, mas tudo tem uma razão no universo infinito e misterioso do ser humano! Na verdade, eu quando era pequena, queria ser médica. Aí, quando vi que notas, horas de estudo, muita matemática, física e química seriam necessárias pra me fazer andar um pedacinho do caminho, olhei pra minha realidade de aluna "average", e ainda por cima uma que nem queria mudar de status e deixei a carreira de médico pra uma outra vida, quem sabe. É, meu lado cientista sábio também existe, apesar de estar constantemente em marcha lenta. Passei a infância inteira vendo meu pai ler bulas, compêndios médicos e farmacêuticos e enciclopédias cheias de nominhos esquisitos que se referiam à fórmulas mágicas capazes de curar ou matar de vez. A parte do "matar de vez" ainda não me encantava muito na época... Veio depois. Sempre bom saber, não é?
Meu Papis, é um mestre das fórmulas mágicas. Sempre sabe exatamente o que usar pra essa ou aquela miséria inflamatória ou infecciosa que assola nossos corpinhos frágeis. (Infelizmente nem todas as dores vêm do corpo, né Papis...?) Eu queria ser igual a ele! Mas cada um com o seu dom e apesar de amar e me orgulhar de saber um milésimo do que ele sabe, meu negócio era mesmo "fazer
arte". E durante os 5 anos de de prazer que me levaram a conseguir meu diploma de farmacêutica, a danada foi achando seu caminho pra me lembrar que não dá muito pra fugir das nossas paixões.
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| Corte de tecido nervoso |
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Entre outras, adorava as aulas práticas de citologia e histologia no primeiro ano onde devíamos desenhar com detalhes o que víamos no microscópio.
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| Corte de tecido pulmonar |
Ahh, ver a beleza de um corte de tecido pulmonar com enfisema, corado com hematoxilina e eosina. Pura arte!
Ainda tenho meu caderno de lâminas desenhadas. Lindo!
Tenho certeza que se um designer se inspirar na infinidade de formas, cores, misturas de texturas dessas lâminas não vai cair na casa do "sem idéias".
No segundo ano fui convidada por meus professores a ajudá-los nas aulas de laboratório pro primeiro ano. Como essa foi uma das únicas matérias na minha vida universitária onde eu sabia tudo de traz pra frente, eu dava explicações, indicações e até um pouquinho de apresentação de lâminas pra classe toda. Que orgulho! Não durou muito... a aula era a última de sexta-feira à noite e os profs sempre ficavam até mais tarde pra arrumar o lab e, eu também, e sexta-feira à noite, bahn..., era hora de comemorar o começo do fim de semana em algum bar ou na casa de alguém... No terceiro ano as sextas-feiras já estavam todas ocupadas antes do ano começar.
E esse foi o fim da minha carreira acadêmica.
Sorry teachers! Se algum de vocês um dia ler esse blog... Vocês eram os melhores!