VIAJANDO NA HISTÓRIA DOS MEUS DESENHOS ou, NOS DESENHOS DA MINHA HISTÓRIA...

Saturday, 12 February 2011

Inventando moda

Então, de tanto desenhar bonequinhas, mocinhas e vestidinhos, decidi virar designer! É, porque meus modelitos eram realmente muito fashion e eu comecei a achar que era um desperdício de talento não fazer ninguém aproveitar do meu dom... ufff.
Enfiei na cabeça que tinha que criar roupas, coleções, sei lá! YSL deve ter esbarrado por aqui no caminho de alguma maison de haute couture pra assombrar em Paris...
Passava tanta idéia por aqui que só me dei conta que precisaria pelo menos aprender a desenhar um manequin direito quando parei pra respirar.
Resolvi fazer um curso de desenho de moda e aí, vi que o corpo do modelo tinha uma estrutura bem particular que deveria ser respeitada pro desenho sair com uma cara glamour e os corpinhos que eu desenhava, baahn..., estavam precisando de muito musculação pra chegar aos pés do ideal. A relação era tipo Naomi Campbell / Emilia do sítio do pica-pau amarelo.


Meu prof de desenho é um cara muito legal e ótimo desenhista. Apesar de não ter feito o milagre de me ensinar a desenhar a silhueta da pantera, fez várias outros pequenos passes de mágica que tecnicamente me ajudaram muito nos meus desenhos futuros.
Luz, sombra, cor, traçado, proporção, precisão, ousadia.


Aprendi a interagir com o papel! Generosidade = satisfação.
Graças à nossa senhora do bom senso, quando comecei a desenhar de maneira mais profissional, o fantasma do costureiro já estava longe e eu já tinha esquecido porque queria fazer "esse" curso. Sem o stress da finalidade obrigatória, encontrei um caminho muito mais interessante e longo que leva à outros fins...



  E meus modelos imaginários passaram a ser personagens.

Nessa época, descobri vários livros úteis e também lindos. Entre os meus preferidos estão
"Fashion Design 1800 - 1940" e
"Illustrer la mode" de Maite Lafuente, todo esboçado à lápis, mostrando todo o talento da autora. 

Tesouros de inspiração.

Wednesday, 9 February 2011

Formigas kamikazes

Essa é pro meu maninho!
 
Achei um dos seus desenhos incríveis dos "Autódromos da morte".
As super motinhos tamanho formiga com pilotos absolutamente destemidos que muitas vezes acabavam dentro de alguma gosma fervendo...
Sabia que tinha um aqui em algum lugar... Resquício das nossas infâncias. Valeu! Muito 10!!!

Monday, 7 February 2011

De mamadeiras à jugulares

Ah, a maternidade... só passando por isso pra saber o que é, não? Pra saber que graças à essas coisinhas mágicas que saem da sua barriga você é que vai se transformar em mágica pra encontrar tempo pra fazer alguma coisa que não seja em relação à eles!
Deixar de se lavar ou de comer e principalmente de dormir, foi duro mas essa foi a fase crítica dos primeiros meses. Se você conseguir sobreviver à privação dos básicos da vida, passa relativamente rápido. Depois, acredite, dá até saudade. Quando meus neurônios se deram conta que ainda estavam vivos, veio a fase da reflexão, ou seja, onde foi parar a pessoa que habitava esse corpo aqui??? Se eu tinha múltiplas personalidades, tenho certeza que todas deram o fora e só ficou uma: a que tinha que limpar toda a bagunça.
Não, sério, tudo isso com muito amor e dedicação! Porque o doido que chegasse perto dos meus bebês, corria um sério risco de ficar sem algumas falanges. Pensando bem, acho que a parte psicopata de plantão também ficou.

Com o passar dos meses e graças às noites de 5 ou 6 horas (puro luxo!) de sono, voltei a ter vontade de ler, assistir um bom filme, enfim, de algo que fizesse minha imaginação, em stand by, pegar no tranco. Parei de trabalhar (ahahah...) pra virar mãe e dona de casa dedicada e a parte intelectualizada do meu cérebro achou que já estava se aposentando, sabe?  Tirava fotos maravilhosas das minhas filhas maravilhosas, mas acho que isso toda mãe faz...
Viajamos pra lugares incríveis com o porta malas carregado de leite em pó, berço dobrável, cadeirinhas, roupinhas pra todas as estações, porque nunca se sabe, um estoque de mamadeiras e é claro o esterilizador de mamadeiras! Fazer uma lista mental de tudo isso, mesmo indo pra um hotel 5 estrelas, porque nunca se sabe, não é fácil! Meu cérebro se ocupava como podia.

Lestat de Lioncourt
Um belo dia, comecei a ler um livro, durante as mamadeiras, e esse livro, foi o começo de uma série de outros escritos com o gênio de Ms ANNE RICE. "Interview with the Vampire". Já tinha encontrado Lestat em "The Vampire Lestat" de 1985 durante a gravidez e viramos bons amigos mas na época, tranquila como eu estava, nunca pensei que um vampiro seria ótima companhia depois da chegada do bebê. O filme de 1984 é boa diversão apesar de ter que ver o Tom Cruise tingido de loiro pra encarnar Lestat. Bom, até que não ficou assim tão mal. 

Como imagem prefiro Stuart Townsend que interpretou Lestat em "The Queen of the damned" de 2002.


Lestat pela ilustradora Marie Meier
Esse e outros personagens criados por ela, são sublimes! Entre vampiros, feiticeiras, espíritos obsessores, anjos caídos e mais recentemente um Cristo muito humano, ela escreveu histórias fantásticas, adultas, filosóficas, maquiavélicas, teológicas e épicas. Dá pra sentir toda a pesquisa feita sobre os lugares, povos e civilizações e fatos históricos que fazem parte dos universos que ela descreve.

Com uma sutileza e inteligência admiráveis, Anne Rice, através de suas criações destinadas à danação ou adoração eterna, soube mobiliar muitos dos meus momentos de solidão, de frustração, de fraqueza... Seus livros eram meus companheiros em muitos momentos difíceis, onde a única luz que eu via vinha dos rostinhos dos meus verdadeiros anjinhos que dependiam de mim, e eu deles.

O fato de ler sobre seres céticos e contraditórios, de corpos imortais e almas perdidas, não me fez de modo algum me afastar da minha fé. 
Aprendi sim a gostar do gótico, de imaginar a beleza maculada desses seres e até tentar me colocar na pele deles pra melhor entender o hipotético desespero de não pertencer à lado nenhum. Humanos por trás do mito.
Descobri ilustradores de talento "sobrenatural" nessa categoria!
 


Ilustrações de Victoria Francès e Luis Royo


Uma vez, viajando através do Centovalli que leva ao Tessin, parte da Suiça onde se fala italiano, descobri a música e as letras que me fizeram pensar imediatamente nos personagens atormentados desses livros. Se tivesse que dar uma trilha sonora pra as crônicas dos vampiros, seriam as músicas de Evanescence.