VIAJANDO NA HISTÓRIA DOS MEUS DESENHOS ou, NOS DESENHOS DA MINHA HISTÓRIA...

Tuesday, 8 November 2011

Cores e sabores do sul

 Setembro, num fim de semana prolongado fomos pro sul da França, Provence, onde a cor da terra tem várias nuances, onde as plantações de lavanda são onipresentes e o azeite é tão bom e elaborado quanto os vinhos locais. Adoro quando meu chéri tem idéias inesperadas de viagens. Louca pelo globo como eu sou, estou sempre de malas prontas e mapa na mão.
Site oficial da cidade de Roussillon - muito legal!
Numa cidadezinha chamada Roussillon, descobri a origem do pigmento ocre. Todo uma história geológica precede, claro.
Pros mais românticos, a lenda medieval diz que a terra é assim vermelha por causa do sangue de uma dama que, tendo perdido seu amor, se jogou do despenhadeiro tingindo assim a terra pra sempre... Uii!
As variações de coloração do ocre são inúmeras e as razões disso tudo restam por uma parte, apesar das explicações científicas, um segredo da natureza.
Nas lojinhas da cidade, pode-se comprar pigmentos de todos os tipos e cores mas os mais incríveis são os que vêm da terra de lá. São lindos e minha mente de artista já imaginava vários desenhos só com esses tons. Me comportei e só comprei alguns vidrinhos...


Mas essa cidadezinha tem outros tesouros escondidos, pedindo pra serem descobertos...


Mas nem só do ocre vive o sul e na rua em frente a essa porta magnificamente decorada, encontrei uma lojinha de produtos locais, cheia de coisas maravilhosas. Vinhos e azeites de pequenos produtores, biscoitos, doces, patés... tinha uma plaquinha na porta convidando o turista, tipo eu, a entrar e degustar alguns azeites locais. Nem precisava tanto! Fui! Mas antes de encontrar minha reserva pessoal de ouro verde em garrafa, ao entrar, vi uma caixa no degrau mesmo, cheia de uns docinhos cor-de-rosa dentro de uns saquinhos.
A descrição da coisa era:

Les Coucougnettes du Vert Galant
Meilleur bonbon de France
A ne pas mettre dans toutes les bouches !
Amandes broyées au sucre de canne, mélangées à des amandes grillées caramélisées avec un zeste d’eau de vie de gingembre et une rasade d’armagnac, entourant un cœur d’amande douce entière grillée et enrobée de chocolat
Adorei o desenho da embalagem!!!
HISTORIQUE : Si le nom de Coucougnettes évoque aujourd’hui les choses de la vie, faire une coucougne signifie câliner, cajoler, caresser, chouchouter, en deux mots coucougner c’est offrir un peu d’amour.
Les “Coucougnettes” les plus célèbres sont sans aucun doute celles du bon roi Henri IV surnommé le Vert Galant à qui les historiens attribuent 54 maîtresses et 24 enfants.
A CONSOMMER AVEC HUMOUR ET SANS MODERATION !!
Entendeu? Se não, liga o tradutor porque vale a pena!
Não resisti e experimentei as "bolas do rei". Eram boas mesmo!

Link: Les coucougnettes
Uma coucougnette é um confeito feito de amendoas, de marzipan e de chocolate.

A coucougnette é fabricada a base de amêndoas frescas moídas com açúcar. Essa massa é misturada com amêndoas grelhadas e carameladas, algumas gotas de aguardente de gengibre e um pouco de armagnac. O centro de la coucougnette é uma amêndoa doce inteira, grelhada e coberta de chocolate amargo de grande qualidade. Ela é enrolada à mão pra garantir a forma e o tamanho certos e mergulhada dentro do suco de framboesas, o que lhe dá a cor rosa. Mortal!

Em linguagem coloquial da língua francesa, a palavra pode significar testículo... Se os do rei Henrique IV tinham metade desses atributos, dá pra explicar as 54 amantes.

Wednesday, 21 September 2011

Animaalll!!!

Nosso amigo Nicolas, gosta de histórias em quadrinhos. Coleciona, procura, aprecia desenhos, lê roteiros com interesse e sempre me faz resumos apetitosos quando vem com uma nova série pra me emprestar.
Gentil ele! Gentil, porque sabendo como ele gosta e cuida dos álbuns dele, considero os empréstimos como ato de generosidade...
Não temos sempre os mesmos gostos mas graças ao nosso tráfico de álbuns, descobri várias séries imperdíveis e também pude dar minha contribuição à cultura do moço.

Descobri, por exemplo, Blacksad, de autores espanhóis cheios de talento e imaginação... desenhos ótimos e um gosto de anos 50, numa américa perigosa e cheia de charme...

Gostei do resumo do primeiro livro que li na página Fantastic Mr. Book:
"Un chat détective, la cigarette au museau, enquête sur le meurtre de son ex entre serpents tueurs à gage, cochon barman, rhinocéros gardes du corps et chien policier. Disney ? Oui un Disney buvant du bourbon, fumant des sans filtre, jouant du blues et préférant Marilyn à Minnie."
Blacksad por Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido

Há algumas semanas ele me trouxe a continuação da também ótima série francesa "De cape et de crocs". Uma mistura rocambolesca de lendas de piratas e histórias de capa e espada onde personagens humanos e animais co-habitam e vivem as mais doidas aventuras no fim do mundo com uma série de seres literalmente lunáticos.

Heróis de personalidade incontestável...  dos autores Alain Ayroles e Jean-Luc Masbou

Minha Chloé adora coelhos e como de vez em sempre minha imaginação precisa de um pontapé pra pegar no tranco quando ela me pede histórias antes de dormir, pensei em contar o destino do coelho Eusèbe, preso na barriga de um peixe gigante, genéticamente modificado (!), com o turco Raïs Kader e um polvo com carência sentimental. Eles são amigos dos heróis da série, Don Lope de Villalobos y Sangrin, um lobo espanhol e Armand Raynal de Maupertuis, uma raposa francesa, excelentes espadachins contratados por um veneziano rico e muquirana pra roubarem um mapa do tesouro dentro de um navio turco...



Nem preciso dizer que ela adorou ouvir essas maluquices e pediu mais! Mas, o problema, é que um desses tomos preciosos pro nosso amigo fornecedor de comics, sofreu uma pequena queda de um andar..., durante sua breve estadia aqui em casa, que entortou consideravelmente sua capa brilhante e perfeita... ehhrrrh, e eu espero ser perdoada e ter meu direito de empréstimo revalidado...

Saturday, 6 August 2011

Terra de sonhos

Estamos um pouco no trip total dos "Piratas do Caribe"! Depois de ter ido várias vezes no barquinho pirata da atração na Disneylandia (definitivamente a preferida da família), comido no restaurante com pratos típicos das ilhas, comprado chapéu de pirata e visto o Jack Sparrow em pessoa no parque, decidi pegar os filmes pras meninas verem. Eu mesma tendo visto há muiiiiito tempo, nem me lembrava mais como são ótimos! Diversão garantida e sonho de férias nas águas azuis do Caribe... Não pode pensar no preço do sonho, só sonhar... Cada vez que vejo os mapas do mar do Caribe eu dou um pulinho por lá. Os antigos então são maravilhosos! Algumas ilhas dos filmes existem mesmo e aí minha imaginação vai longe...


Pra quem quiser se aventurar de verdade, tem um site muito completo que achei nas minhas cyber pesquisas: http://www.caribbeantravel.com/.
Um dia eu vou!!!

Me faz pensar que no final de julho teve um dos mais famosos festivais "open air" daqui da Suiça, o Paleo Festival. O que uma coisa tem a ver com a outra... bom, é que todos os anos eles tem um país ou região como convidado de honra e uma área do festival é reservada pros stands de artesanato, comidas típicas, músicas, associações... um pouco de tudo, da região em questão. 


E esse ano, por coincidência, a região convidada foi... TAN-NAAAN... : (adivinhem!) O Caribe!!! Tudo bem que eu fui pra ver o James Blunt mas a surpresa foi ainda melhor quando decidimos experimentar um pouco dos temperos caribenhos.


Com muita influência africana, a comida Creole é excelente! Cheia de gostos diferentes, leite de coco, pimenta, parece um pouco a comida típica bahiana. Um deleite!!!!!!!!

Passeando pelo "village du monde", como é chamada a área destinada aos países convidados, tinha um stand da organização "Medécins sans Frontières" que coletava fundos pros projetos no Haïti, e encontrei uns painéis lindos, feitos por várias mãos de cenas de um país mágico, lindo, que ainda tem esperanças e sonha com um futuro onde há vida.
O tempo passa mas a miséria não diminui. Quem quiser ajudar pode através do link dessa organização feita por pessoas admiráveis.




Friday, 15 July 2011

Tantas aventuras...

Viajar com as crianças requer uma coleção de qualidades das quais nós adultos definitivamente não dispomos o tempo todo. Primeiro dia é meio estranho porque todos estão se ajustando às novas coordenadas e finalmente, ficamos contente de tomar uma ducha e por roupa limpa, ir pra cama pra descansar da viajem, e antes de fechar os olhos pensar que no fim do dia, tudo deu certo, estamos todos inteiros.
É, depois que virei mãe, meu espírito aventureiro deu uma real encolhida e quando estou com as meninas em território desconhecido com certeza ganho uma dúzia de cabelinhos prateados... Ainda bem que a cosmética capilar evolui e o leque de tinturas é vasto!

Quando estamos todos mais aclimatados, as aventuras se seguem e entre um "tira a mão daí!!!" e "fica perto de mim!!!" tudo é muito legal!

Discoveryland foi em parte inspirada nos romances de Jules Verne

Capitão Nemo, à bordo do Nautilus, olhando o polvo gigante

Os olhinhos maravilhados e as risadas de contentamento desses seres encantados que me deixam louca mas são o ar que eu respiro, valem todos os esforços do percurso. E não foram as únicas a ficarem maravilhadas...
Trabalhando constantemente o lado psicológico do adulto que somos... paciência (muita paciência), criatividade pra contar histórias maravilhosas sobre todas as pedras velhas que encontramos pelo caminho, generosidade (com tanta tentação principesca, haja!!!), recapitulando, acho que terminamos a aventura com uma boa carga positiva. Marcamos definitivamente alguns pontos com o papai do céu.
Biscoitos maravilhosos e o site deles é muito legal!

Nessas viagens sempre descubro coisas novas e vou anotando... do super biscoito comprado por acaso no aeroporto à atração do parque que me fez lembrar de tantas aventuras lidas e imaginadas durante a infância.

Apesar de voltar com a carteira mais leve, trouxemos muita bagagem absolutamente "priceless"!

Wednesday, 22 June 2011

Onomatopéias

Nada como um tratamento de choque pra fazer minha inspiração voltar...

Ontem bati a cabeça na mesa quando ía dar comida pra gata, tô com um galo lindíssimo na testa. Só falta cantar. Fiquei meio trilili por alguns segundos mas sobrevivi.
Pensei na hora nessas criancinhas que caem de cabeça e usam a testa como amortecedor... coitadinhas! E ainda por cima escutam um "naaaummm, não foi naaadaaaa..." Santa inocência (e falta de vocabulário trash) que as impede de responder com as devidas palavras!

Até que não doi muito (na hora) mas que atordoa, isso sim! O que é engraçado é a sensação de surpresa, porque é claro, ninguém com todos os parafusos no lugar vai bater a cabeça de propósito e como esse negócio de se machucar é pros outros, nossa, dá um certo espanto! O olho chora sozinho, pisca, pisca e vê umas luzinhas dançarinas e se sobrar alguma faísca de consciência imediatamente depois do choque, tem que se segurar pra não cair. Isso sem falar de todos os sons bizarros que saem da boca sem que a gente perceba em meio a outros mais inteligíveis...

O cara que desenhou as estrelinhas de dor nas histórias em quadrinhos pela primeira vez foi super exato, um verdadeiro guia de referência! Mas como muitas coisas nessa vida, a gente só acredita vendo, e relembrando por que coisa ruim a gente quer esquecer, eu tive uma sessão de flashback muito eficaz.

 Aí, cheguei na cozinha meio tateando e esvaziei meu congeladorzinho pra achar uma daquelas bolsinhas com gel verde dentro que é claro, na hora que a gente precisa somem... quando meus dedos estavam quase  tetanizados, eu achei a danada. Enrolei num papel toalha pra não causar um frostbite facial e subi pro quarto. Meu digníssimo marido, que estava tentando roncar tranqüilo deu uma daquelas respiradas profundas tipo "p.q.p...!!!"  (depois de anos de casada já dá pra captar as ondas sem interferência) e me deu uma olhada com a metade de um olho aberto. Quando ele me viu meu papel avermelhado (incrível o que algumas gotas de sangue fazem com um indivíduo), resolveu perguntar o por que do porque (?). Ainda meio desnorteada, caí num acesso de riso que me impediu de falar e ele, com outra respirada tipo pfff, virou pro outro lado e pediu pra apagar a luz. Acordei com um mal de crânio meio inédito mas dormi como um anjo e ele, tendo perdido o momento "durma agora ou fique acordado muito tempo",... ficou acordado muito tempo, pensando em mim, com certeza!

Onomatopeias, o que seria nossa vida sem elas!!!

Saturday, 18 June 2011

Um verdadeiro festival

Semana passada foi semana de "Caribana" por aqui.

Pra quem não conhece, é um festival open-air que começa na quarta e termina no domingo e acontece todos os anos aqui em Crans-près-Céligny, onde eu moro e pra ser mais exata, quase do outro lado da rua... Faz um barulho do cão e a rua fica toda cheia de gente, de carros, de barreiras... uma zona. A vantagem é que quando tem um show legal a gente deixa a janela aberta e o concerto vem pra dentro do quarto.
Quando o rock é pesado e nem os travesseiros na orelha adiantam o negócio é sair ou ir dormir no porão.

Morcheeba e sua belissima Skye Edwards

Mas, segundo a tradição (que começou logo que cheguei aqui há uns 12 anos), vamos todos os anos, pelo menos uma noite, que quase sempre termina em aminésia coletiva por culpa dos vários "aperos" que tomamos em casa antes de ir e quando chegamos lá. Quem vai cantar nesse dia não tem a mínima importância porque com certeza o objetivo é mais social que cultural mas rodando dentro do festival acabamos vendo um show ou outro. E muitas são as grandes estrelas pop que aparecem por aqui. Só da minha constelação de preferidos, teve Texas e OMD!!!
Sem falar de vários outros que botaram fogo na platéia, tipo Marc Sway, Justin Nozuka, Julian Marley...

Apesar de que esse ano fomos super wise e tendo bebido só água antes de ir, chegamos à conclusão que esse negócio de comer de pé, andar na multidão, ver gente retardada levar criança pequena pra um lugar desses (com um som desses) só passa depois de vários drinks indeed!

Nesses festivais open-air, também se vê vários outros tipos de artista.
Esse fazia retratos estilizados com spray sobre tela, assim, rapidinho. Gostei!


Caribana também é uma festa de carnaval em Toronto (próxima edição do 14/07 ao 01/08) e a origem do nome vem de um lugar na Guiana, da época dos descobridores espanhóis, onde os índios eram canibais. Cool!

Friday, 3 June 2011

Exterminador do passado

Estou lendo uma série de álbuns em quadrinhos chamada "Nicolas Eymerich, Inquisiteur".
Criada pela dupla Jorge Zentner e David Sala, e baseada no personagem do escritor italiano Valerio Evangelisti, que por sua vez, se baseou no inquisidor catalão Nicolau Aymerich, autor do tão famoso "Directorium Inquisitorum", ou, manual do inquisidor, em 1376.
Livro adotado durante vários dos anos negros da inquisição na Europa.

Imagem típica do século 18 sobre a Inquisição
Nossa, quanta referência... E todas merecem ser consultadas, mas vou insistir no talento mágico de David Sala, porque meu negócio é desenho. E os desenhos do homem são de dar arrepios!


Duros, quase sólidos, conseguem dar a textura perfeita a ao personagem fervoroso e horripilante que é Nicolas Eymerich. Um detetive à serviço de uma igreja que se impunha com mãos de aço face aos que tinham outra fé.
Desenho do álbum "La deèsse". Beleza e liberdade destruídas pela igreja medieval.
E esse personagem ganha ainda mais força porque é baseado em alguém que realmente existiu e durante sua existência, destruiu tanta gente e tanta beleza escondida em culturas mais antigas que o cristianismo. Não por maldade, muito pelo contrário, porque acreditava que fazia o bem, numa época de austeridade e intolerância.
E a história é longa. Ele, era só um dentre vários...

Tuesday, 17 May 2011

Verde e rubi

Uma vez, deve ter sido uma das primeiras, fui num cinema lá na Móoca, com minha avó e meu papis...? Sei lá, mas me lembro bem do filme e do nome do cinema!!! Fui ver "Marcelino-Pão e vinho" no cinema "Ouro verde"! Lembro que o revestimento do hall da entrada era todo de uma pedra que parecia um mármore, ou granito... verde. Devia ser muito antigo e hoje... deve ter virado poeira mas, o nome me marcou muito porque com meus... 4 ou 5 anos tinha achado imediatamente chique! Por que eu tô dando essa viajada no tempo? Bão, porque o lugar pra onde eu fui nesses últimos dias me fez pensar nesse nome: Ouro verde. E, é claro, por causa do vinho do título do filme...
Vinhas da região do Douro - Portugal

Não, esse não é um blog de viajens.
Mas como não falar dessa minha vida de aspirante a globe trotter e dos lugares incríveis que visito? Me sinto tão abençoada por poder ver tudo isso que as vezes transborda! E eu, quando me sinto entusiasmada com alguma coisa falo mais do que o ouvido de qualquer indivíduo pode aguentar, ahhh, resolvi que era mais civilizado escrever sobre o assunto.

Nós fomos passar 5 "no kids" dias em Portugal, no vale do rio Douro. Aterrissamos na cidade do Porto e alugamos um carro pra viajarmos umas 2 horas por essa serpentina que eles chamam de estrada que leva até a cidadezinha de Peso da Régua. No começo era auto estrada, grande, tipo as nossas e depois, pegamos uma secundária que era um verdadeiro teste de direção! Ficamos num hotel muito doido chamado "Aquapura". Uma antiga quinta por fora, moderníssimo por dentro, muito lindo, com uma paisagem de tirar o fôlego, na beira do rio.

Graças ao nosso amigo e companheiro de viajem do ramo de hotelaria e seus contatos fabulosos, fomos visitar uma Quinta maravilhosa, a "Quinta do Javali", onde é feito o melhor vinho do porto ever! (Decidido depois de várias degustações...). O dono foi de uma simpatia e disponibilidade de dar prazer e ainda por cima nos convidou pra almoçar... uma comidinha nota 10!!!! Por falar em comida... depois de ter passado bem, meu estômago vai ter que se contentar com os vários milk-shakes diet que eu previ pros próximos dias. É, tudo tem seu preço!


Rio Douro visto da Quinta do Javali


Impressão do Javali na barrica. Me faz pensar à pinturas rupestres que aliás, podem ser vistas na região.

Visual alucinante da proa do barco.
Fizemos um passeio de barco que partiu de Pinhão, de umas 2 horas sentido interior/Espanha que foi um sonho! Bem instalados na proa, tomando um vinhozinho branco local, bem fresco e admirando a vista do patchwork de vinhas e oliveiras que se espalhava na nossa frente, me sentindo a própria baronesa da uva, nem percebi que meu cerebrinho estava literalmente cozinhando na caixola. Ventinho traidor! Prometi pra mim mesma que era a última vez que viajava sem meu Panamá. Acho que já disse isso ano passado... Meu marido é um bicho do sol! Incrível! O suíço deve ter vindo com uma carapaça acoplada ao crânio! Chapéus são inexistentes nas possibilidades vestimentares dele. Minha cabeça de miolo mole não aguentou.

Painel de azulejos na estação de Pinhão.
Fomos visitar Lamego e as formosuras religiosas do lugar. A Sé, a igreja de Nossa Sra dos Remédios, lá no alto da colina com seus milhões de degraus e seus azulejos fantásticos! Pinturas incríveis com luz e profundidade admiráveis, essas obras de arte azuis são onipresentes.
Subida pra N. Sra. dos Remédios. A cada lance de degraus eramos recompensados com um painel diferente.
Como nenhum dos meus companheiros de viajem conseguiram pronunciar a palavra certa, eles foram batizados de "azuzu". Subir a escadaria sem combustível já era difícil mas os dois que tinham tomado o vinho da casa no almoço no restaurante "Traz da Sé" devem ter apreciado ainda mais a experiência. Chegando lá em cima era só encomendar a alma porque a carcaça estava entregue! Mas quanto mais difícil o desafio, maior a glória da vitória, ganhamos o dia e vimos muitos azuzus!

Depois de 3 noites nesse lugar mágico, em meio às vinhas de vinho do porto, mudamos de porto, pra cidade d'O Porto! hahahahhhnnn...
Mural de azulejos na estação da cidade do Porto

Demais essa cidade, onde os motoristas de taxi são ligados no 330V e quando a placa indica 80, eles estão a 160km/h. Todos muito simpáticos! Ótimos guias turísticos, culturais, históricos, políticos etc. Se meu cérebro estivesse funcionando melhor depois da insolação, tenho certeza que teria aprendido um monte de coisas interessantes.
Mas tenho que me contentar com as lembranças do que vi, do que senti e do que comi e bebi. Todas muito boas!
Minha mandíbula quase descolou do eixo de tanto rir...

Wednesday, 4 May 2011

Wonderland

Férias sempre são benvindas e eu gosto de inovar. Cada vez que viajamos quero ir pra um lugar diferente. Como eu sempre digo, essa vida é muito curta pra ler todos os livros da minha lista e visitar todos os lugares que me fazem sonhar nesse mundão!
Dessa vez fomos pra Dubai. Bom, foi a terceira vez mas esse lugar é muito louco porque a cada visita tenho a impressão de chegar num lugar novo, então não conta como repeteco...

Essa cidade que fica entre o mar e o deserto parece um grande oasis de diversões, que é claro não diverte todo mundo o tempo todo. Entre turistas e imigrantes de todas as nacionalidades, Dubai é uma verdadeira torre de Babel, com o inglês como língua comum. Lá, tudo é grande, enorme, maior ou melhor do mundo. As construções que devem ser o sonho de muito arquiteto e que atraem tantos visitantes, atraem também a atenção do Human Rights Watch.


Nos hoteis que chegam a ter 7 estrelas (!!!) os vidros e o chão são tão limpos e reluzentes que quando a gente entra dá uma sensação de ar estéril. Tudo cheira bem e o pé direito é sempre tão alto! Eles conseguiram construir verdadeiros palácios. E dá pra ir ver, sem ter que pagar vários salários pra ficar hospedado em um deles.
Servidos como reis, até no fast food do parque aquático onde fomos, o gerente veio perguntar se tudo estava conforme nossas exigências, Sir! Com certeza!

No Zabeel Saray
Amei os lugarzinhos chiquérrimos preparados especialmente pra fumar a shisha e o perfume que ela espalha no ar.


Pra experimentar um pouquinho da cultura Árabe com muitas concessões da parte dos donos da festa, é o lugar certo. Mas só pra estrangeiros e ainda assim, tem que tomar cuidado! Quem mora lá sabe que história é o que não falta e nossos jantares eram povoados com as mais variadas anedotas... verdadeiras com prova documentada ou comentada numa reuniãozinha da amiga de uma amiga, todas tem alguma coisa de insólita ou interessante. Com isso, mais o que vi e percebi nos lugares onde tive a sorte de ir, adquiri alguma culturar útil e muita inútil.
Pra entender um pouco vale a pena se informar antes de ir: a Sharia é a lei muçulmana seguida por lá.

Abaya moderna  
As mulheres mais jovens também usam a tradicional abaya negra, misteriosa e até bela as vezes, com seus tecidos leves e esvoaçantes, mas o must é deixar aparecer (de leve) o sapato de salto altíssimo e super feminino e a bolsa de grife de uns modelos que devem ser exclusivos porque não existem no meu universo. Unhas feitas, maquiagem perfeita, perfume e jóias, bordados na barra do vestido, algumas são muito sensuais e esse tipo de detalhe mostra o nível sócio-econômico no qual elas vivem...
Eu digo BRAVO à essas mulheres que apesar de todas as restrições que envolvem suas vidas, conseguem ser e parecer mulheres e com orgulho no olhar!
Hotel Kempinski - Palm Jumeirah
 
Moralismos à parte, algumas paisagens e arquiteturas me inspiraram e até debaixo de um sol escaldante me deu vontade de desenhar.


uma casa do outro lado do canal
outra casa

Thursday, 14 April 2011

Breve vida esplendorosa

Esse clima primaveril me fez perder a noção do tempo, maravilhoso por sinal, e, putz, já faz 2 semanas que eu não escrevo... Desenhando muito pra minha exposição, fazendo malas pras férias de Páscoa, beijando muito as bochechas das minhas "godicas" que estão cada vez mais lindas e mais o de sempre tipo... motorista, cozinheira, arrumadeira e mais um monte de "eiras"...
Back to business then!

Por falar em primavera, aqui tudo está em flor. Uma maravilha! As magnólias são sublimes com suas flores majestosas, as tulipas coloridas e brilhantes, e todo o resto... nunca fui boa em botânica.

Sem ter que pensar muito em nomenclatura, tem uma árvore que me encanta e tenho certeza que não sou a única a passar longos momentos olhando pra sua beleza: a cerejeira em flor.
Se cada florzinha der uma cereja mais tarde, a colheita vai ser ótima e as tortas também!

Em vários países do mundo essa explosão de cor que invade a paisagem é apreciada mas também homenageada com fotos, música e festivais.

Festival em Vancouver

Mas quando vejo essas maravilhas floridas, penso logo no Japão e na sua arte e cultura milenares .
Os japoneses, a chamam de Sakura e são mestres em ilustrá-la, fazendo delas uma fonte de inspiração e objeto de admiração. A cerejeira é muito popular no país do sol nascente e profundamente enraizada na vida das pessoas, tendo um simbolismo todo especial.
Seu período de floração, sendo breve, é comparado à vida humana na terra. A flor nasce, cresce em tamanho e beleza e, como nós, vai de encontro ao um destino inevitável. No mundo ocidental, essa noção é ligada ao outono enquanto que nossos irmãos orientais se lembram da verdadeira natureza da vida durante a primavera, quando as flores resplandecem e logo depois, caem.

Cathedral of light by Narate Kathong


"Cherry blossom skies" by Bladnoch


 Existe até um "Sakura Guide" onde estão listadas todas as datas de floração das cerejeiras no país inteiro!
Até em Fukushima, onde as flores esse ano não tiveram tempo de brilhar...






Super personagem, enorme pessoa:

Isso tudo me fez também lembrar de um grande amigo que durante alguns meses de estudo, longe de casa, me fez passar ótimos momentos.
Isao, um japonês "pure brand", judoca com orelha de couve-flor e um coração de ouro, que com gentileza e paciência infinitas, dividiu generosamente comigo um pouco da sua cultura (e da comida que o pai dele mandava pra ele em caixas enormes todos os meses). Não conseguia comer com garfo e detestava a comida inglesa... Wonder why?? 
Brigou com a land lady depois de ter transformado a cozinha dela em campo de batalha quando resolveu cozinhar pra todo mundo e mudou de casa.
Não conseguia pronunciar "really" e tinha um estômago eternamente "rumbling".
Gostava de ouvir Shakira e de me ver minhas técnicas pra enrolar cigarrinhos no papel de seda. Conseguia ficar sentado no chão do quarto (contente!) um tempão ouvindo 3 brasileiras falarem... em português, claro!  
God bless his soul wherever he may be!