Deixar de se lavar ou de comer e principalmente de dormir, foi duro mas essa foi a fase crítica dos primeiros meses. Se você conseguir sobreviver à privação dos básicos da vida, passa relativamente rápido. Depois, acredite, dá até saudade. Quando meus neurônios se deram conta que ainda estavam vivos, veio a fase da reflexão, ou seja, onde foi parar a pessoa que habitava esse corpo aqui??? Se eu tinha múltiplas personalidades, tenho certeza que todas deram o fora e só ficou uma: a que tinha que limpar toda a bagunça.
Não, sério, tudo isso com muito amor e dedicação! Porque o doido que chegasse perto dos meus bebês, corria um sério risco de ficar sem algumas falanges. Pensando bem, acho que a parte psicopata de plantão também ficou.
Com o passar dos meses e graças às noites de 5 ou 6 horas (puro luxo!) de sono, voltei a ter vontade de ler, assistir um bom filme, enfim, de algo que fizesse minha imaginação, em stand by, pegar no tranco. Parei de trabalhar (ahahah...) pra virar mãe e dona de casa dedicada e a parte intelectualizada do meu cérebro achou que já estava se aposentando, sabe? Tirava fotos maravilhosas das minhas filhas maravilhosas, mas acho que isso toda mãe faz...
Viajamos pra lugares incríveis com o porta malas carregado de leite em pó, berço dobrável, cadeirinhas, roupinhas pra todas as estações, porque nunca se sabe, um estoque de mamadeiras e é claro o esterilizador de mamadeiras! Fazer uma lista mental de tudo isso, mesmo indo pra um hotel 5 estrelas, porque nunca se sabe, não é fácil! Meu cérebro se ocupava como podia.
| Lestat de Lioncourt |
Como imagem prefiro Stuart Townsend que interpretou Lestat em "The Queen of the damned" de 2002.
![]() |
| Lestat pela ilustradora Marie Meier |
Com uma sutileza e inteligência admiráveis, Anne Rice, através de suas criações destinadas à danação ou adoração eterna, soube mobiliar muitos dos meus momentos de solidão, de frustração, de fraqueza... Seus livros eram meus companheiros em muitos momentos difíceis, onde a única luz que eu via vinha dos rostinhos dos meus verdadeiros anjinhos que dependiam de mim, e eu deles.
O fato de ler sobre seres céticos e contraditórios, de corpos imortais e almas perdidas, não me fez de modo algum me afastar da minha fé.
Aprendi sim a gostar do gótico, de imaginar a beleza maculada desses seres e até tentar me colocar na pele deles pra melhor entender o hipotético desespero de não pertencer à lado nenhum. Humanos por trás do mito.
Descobri ilustradores de talento "sobrenatural" nessa categoria!
Ilustrações de Victoria Francès e Luis Royo
Uma vez, viajando através do Centovalli que leva ao Tessin, parte da Suiça onde se fala italiano, descobri a música e as letras que me fizeram pensar imediatamente nos personagens atormentados desses livros. Se tivesse que dar uma trilha sonora pra as crônicas dos vampiros, seriam as músicas de Evanescence.









No comments:
Post a Comment
Don't be shy...