Sabe aquele homem que faz retratos na rua e tem sempre um monte de gente em volta olhando pra ver se fica parecido mesmo com a pessoa sentada na frente dele... putz, ele é demais! Tá bom que as vezes o modelo não se reconhece muito no resultado final apresentado pelo artista, mas só de conseguir desenhar olhos, nariz e boca que pareçam com partes de um rosto... tiro meu chapéu! E tudo isso, LIVE!!!
Passei tantas vezes por pessoas fazendo isso e meu pescoço ia virando pra traz conforme eu ia andando porque não conseguia desgrudar os olhos dos traços que iam aparecendo como por magia. Sempre quis ter um retrato meu, desenhado por alguém que desse à minha expressão aquele toque de olhar captado... tipo musa. Pfff... bom, pra começar e pra terminar nunca tive coragem de me sentar durante intermináveis minutos num banquinho na rua e com um monte de gente olhando e ainda por cima pagar por isso...
 |
| Montmartre, Paris |
 |
| Meu retrato de papel |
Uma vez, em
Montmartre, nas minhas andanças solo, um chinês me perguntou se eu queria um retrato e eu, sinceramente, falei que sem chance,
no money!!! Ele fazia rostos de recorte e derrepente, começou a me olhar e virar a tesourinha dele pra cima e pra baixo no pedaço de papel que ele tinha na mão. Quando eu vi, era eu! Eusinha mesmo! Nossa! E ainda por cima com cara de antiga, tipo camafeu. Minha boca abriu e demorou pra fechar de admiração por que depois de ter materializado uma obra-prima de precisão e graça em 2 minutos ele me deu o retrato de presente! Realizou meu sonho sem que eu me desse conta! Não era um desenho mas eu adorei!!! A vida tem dessas...
Respeito por essas pessoas que fazem da rua seus
ateliers. Que trabalham de baixo de sol e chuva, que encantam com seus múltiplos talentos. Pessoas que levam uma vida dura e insistem em viver da arte, através da arte. Artistas que abrem pro mundo uma janela por onde dá pra ver suas almas. Ora iluminadas, ora atormentadas, mas sempre generosas.
No comments:
Post a Comment
Don't be shy...